O primeiro turno já passou. Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, foram os mais votados e agora disputam o segundo turno no dia 25 de outubro de 2026. E foi apertado como nunca: a menor diferença em um primeiro turno desde que o Brasil voltou a escolher presidente pelo voto direto. Com todas as urnas apuradas, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, o atual presidente, 45,16%. Uma distância de só 1,87 ponto entre os dois, segundo o TSE. Achei importante explicar: votos válidos são os votos dados a algum candidato, sem contar os brancos e os nulos.

Antes de falar das propostas, eu preciso fazer duas críticas, porque elas dizem muito sobre o momento do país.

A primeira é para os candidatos: os dois resolveram não debater as propostas publicamente. Não ficaram frente a frente em debate nenhum durante o primeiro turno, cada um falando só para a própria plateia. E mesmo assim foram os dois mais votados do Brasil. Em qualquer entrevista de emprego a pessoa precisa se explicar e responder pergunta difícil; para o cargo mais importante do país, os dois pularam essa etapa, e o Brasil deixou isso acontecer.

A segunda crítica é para nós, eleitores, e começa por mim. Provavelmente a maioria dos brasileiros nunca abriu as propostas oficiais que esses partidos registraram na Justiça Eleitoral. Eu confesso: não li antes do primeiro turno. Estava na correria de eventos, empresa, vendas e organizando muitas coisas pessoais. E eu sabia que não ia estar na minha zona eleitoral no dia da votação e que não votaria, então acabei deixando para lá. Para o segundo turno eu resolvi separar um tempo e ler os dois do começo ao fim. Recomendo demais que você faça o mesmo: são documentos públicos, e no fim deste texto eu deixo os dois para download, aqui do blog e direto do site do TSE. O do PT tem 84 páginas. O do PL tem 76.

Este texto é a minha organização dessa leitura, tema por tema, na minha interpretação. Ele não tem lado nenhum: existe só para facilitar o entendimento do que um e do que o outro prometem. E eu não preciso dar a minha opinião aqui. Quem me conhece já sabe como eu penso em relação a isso.

Um aviso: este texto vai ficar aberto para qualquer pessoa ler até o final do segundo turno. Depois disso, eu fecho, e ele volta a ser só para os leitores do blog. Duas regras antes de começar:

  • Aqui está só o que os planos escrevem, com a página entre parênteses quando o número importa. Plano de governo é uma lista de promessas: os números que cada partido usa para se elogiar ou para criticar o outro são dos próprios partidos.
  • Este texto não diz quem está certo. Quando um plano não toca num assunto, eu escrevo "não fala disso". Você lê, compara e tira a sua conclusão.

De um lado, o PT com o Lula, numa coligação com PSB, PV, PCdoB, PDT, PSOL e Rede. O documento se chama "Diretrizes para o Programa de Transformação do Brasil" e a ideia central é continuar o que o governo atual faz e ampliar. Do outro, o PL com o Flávio Bolsonaro. O plano se chama "Para o Brasil vencer o atraso" e a ideia central é mudar o rumo: governo menor, menos gastos e mais rigor contra o crime.

Em cada tema eu coloco uma etiqueta: bem diferente (os dois vão para lados opostos), mesmo objetivo, jeito diferente (querem a mesma coisa por caminhos distintos) ou parecido.

Dinheiro e economia

Gastos do governo. Quanto o governo pode gastar? Bem diferente.

  • PT: manter a regra atual, que limita quanto os gastos podem crescer a cada ano. Diz que as contas fecham 2026 quase equilibradas, com déficit perto de 0,4% do PIB (p. 11).
  • PL: criar regras novas e mais duras, para o governo gastar menos do que arrecada e a dívida cair. Diz que a dívida subiu cerca de 13 pontos do PIB em quatro anos (p. 71).

Impostos. Quanto imposto vem no preço das coisas? Bem diferente.

  • PT: continuar a reforma que junta 5 impostos em 2, com cesta básica sem imposto e devolução de parte do dinheiro para os mais pobres. Lembra que quem ganha até R$ 5 mil já não paga Imposto de Renda (p. 11 e 19).
  • PL: revisar essa reforma para baixar o imposto sobre o que a gente compra. O plano calcula que ele ficaria em torno de 30%, contra uma média de 19% nos países ricos, "um dos maiores do mundo" (p. 30).

Juros. Como fazer os juros caírem? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: diz que os juros altos atrapalham o país e quer criar condições para eles caírem de forma sustentada, mantendo a inflação controlada (p. 49).
  • PL: "juros menores não se decretam: conquistam-se com contas em ordem". Para o plano, os juros só caem quando o governo parar de se endividar (p. 32).

Conta de luz. Como deixar a energia mais barata? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: manter a conta grátis para famílias de baixa renda que consomem até 80 kWh por mês, mais de 60 milhões de pessoas, e abrir o debate sobre como baratear para todo mundo (p. 65).
  • PL: simplificar a conta, cortar taxas que vêm embutidas nela e baixar impostos sobre energia, mantendo o desconto de quem é pobre (p. 31).

Dívidas das famílias. Como ajudar quem está endividado? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: cita as edições do Desenrola como conquista e promete monitorar o endividamento das famílias e melhorar as regras de crédito (p. 49).
  • PL: proibir que dinheiro de programa social vire aposta online e ensinar educação financeira pela Caixa (p. 33).

Empresas do governo. O que fazer com a Petrobras e as outras estatais? Bem diferente.

  • PT: Petrobras maior: mais petróleo, mais refino e volta à venda de combustível direto nos postos (p. 67).
  • PL: retomar as privatizações avaliando caso a caso, com chefes de estatal escolhidos por competência comprovada, não por indicação política (p. 70).

Trabalho

Dias de trabalho. Quantos dias por semana se trabalha? Bem diferente.

  • PT: acabar com a escala 6x1 e reduzir a semana para 40 horas, sem diminuir salário (p. 75).
  • PL: "negociado sobre o legislado": patrão e empregado combinam as regras entre si, e o combinado vale mais que a regra geral da lei (p. 44).

Salário mínimo. Como fica o salário mínimo? Bem diferente.

  • PT: continuar aumentando acima da inflação todos os anos (p. 73).
  • PL: não fala disso diretamente. O foco é baratear a contratação com carteira assinada, "sem retirar direitos" (p. 43).

Primeiro emprego. Como ajudar quem procura trabalho? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: mais qualificação e uma plataforma pública de vagas com inteligência artificial, dentro da rede do SINE (p. 74).
  • PL: contrato mais barato para a empresa contratar jovem de 18 a 24 anos e pessoas com mais de 50 que estão desempregadas há pelo menos 1 ano (p. 43).

Trabalho por aplicativo. E quem vive de Uber, iFood e afins? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: criar um sistema de proteção com direitos e aposentadoria para quem trabalha por plataforma (p. 74).
  • PL: garantir que as oportunidades dos aplicativos continuem e proteger esses trabalhadores "sem os interesses de dirigentes sindicais à frente do processo" (p. 45).

Sindicatos. Qual o papel deles? Bem diferente.

  • PT: fortalecer os sindicatos e a negociação coletiva (p. 76).
  • PL: o plano fala em "República Sindical" e diz que os interesses dos dirigentes se sobrepõem aos dos trabalhadores (p. 44).

Segurança

Crime organizado. Como combater PCC, CV e milícias? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: criar o Ministério da Segurança Pública, asfixiar o dinheiro das facções e repassar R$ 10 bilhões para estados e municípios (p. 27 e 30).
  • PL: declarar as facções organizações narcoterroristas, dobrar o investimento federal em segurança e colocar tropas de elite das Forças Armadas nas fronteiras, com ocupação permanente de portos e aeroportos (p. 13 a 15).

Menores de idade. Adolescente que comete crime vai preso? Bem diferente.

  • PT: não propõe mudar a idade. Aposta em prevenção e oportunidades para a juventude (p. 26).
  • PL: baixar a maioridade penal de 18 para 16 anos, e punir desde os 14 em crimes graves como estupro, tráfico, tortura e assassinato (p. 13).

Prisões. O que muda nas cadeias? Bem diferente.

  • PT: cumprir as metas do plano Pena Justa e isolar chefes de facção em presídios federais (p. 28).
  • PL: construir 5 presídios de segurança máxima no modelo de El Salvador, somar meio milhão de novas vagas em 4 anos e acabar com a progressão de regime em crime hediondo (p. 14 a 16).

Armas. E as armas de fogo? Bem diferente.

  • PT: manter o controle de armas e munições e melhorar o rastreamento (p. 28).
  • PL: não trata de armas para cidadãos. As menções a armas no plano são sobre impedir a entrada de fuzis do crime pelas fronteiras (p. 13 e 14).

Câmeras. Onde vão ficar as câmeras? Bem diferente.

  • PT: mais câmeras no uniforme dos policiais, com regras nacionais para guardar as imagens (p. 30).
  • PL: a "Muralha Brasileira": mais de 1 milhão de câmeras novas com reconhecimento facial em ruas, portos e aeroportos (p. 15).

Violência contra a mulher. Como proteger? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: concluir as 30 Casas da Mulher Brasileira, abrir 15 Centros de Referência e equipar os estados para monitorar agressores (p. 21).
  • PL: tornozeleira eletrônica nos agressores das mais de 500 mil mulheres com medida protetiva, pena integral para quem mata ou agride mulher e castração química para estupradores condenados (p. 14).

Escola e saúde

Aprender a ler. Como alfabetizar as crianças? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: meta de 80% das crianças alfabetizadas na idade certa. Hoje são 66% (p. 31).
  • PL: priorizar o método fônico, que ensina ligando cada som a uma letra (p. 35).

Tipo de escola. Como deve ser a escola? Bem diferente.

  • PT: prioridade máxima para a escola em tempo integral e internet boa em todas as escolas (p. 31).
  • PL: mais escolas cívico-militares, educação "livre de doutrinação" e um vale para estudar em outra escola quando faltar vaga na pública (p. 35 e 36).

Ajuda ao aluno. Como evitar que o jovem desista? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: continuar e fortalecer o Pé-de-Meia, a poupança do ensino médio que já alcançou 7,3 milhões de jovens (p. 32).
  • PL: o programa Acolher: aluno com boa nota recebe para dar aula de reforço aos colegas (p. 35).

Faculdade. Como chegar ao ensino superior? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: mais 111 institutos federais e um novo ciclo de expansão das universidades públicas no interior (p. 33).
  • PL: empréstimo estudantil que só começa a ser pago depois do emprego, com parcela proporcional ao salário (p. 37).

Saúde. Como diminuir as filas? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: fila única digital organizada pela gravidade, mutirões de cirurgia e Farmácia Popular 100% gratuita, agora incluindo exames (p. 36 a 38).
  • PL: pagar aos hospitais do SUS um valor que cubra o custo real, usar os horários vazios das clínicas particulares e entregar remédio em casa (p. 37 e 38).

Histórico médico. E os seus exames e consultas? Parecido.

  • PT: prontuário único do cidadão: exames e consultas valendo em qualquer posto (p. 35).
  • PL: prontuário único ligado ao CPF, valendo no SUS e na rede particular (p. 25).

Família e ajuda social

Bolsa Família. Os programas sociais continuam? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: sim. Manter, aperfeiçoar e ampliar a proteção social, com o Bolsa Família como peça central (p. 18 e 19).
  • PL: sim, com porta de saída: prioridade em vagas e cursos para quem recebe, e volta garantida ao benefício se o emprego não der certo (p. 42).

Casa própria. Como ajudar a ter casa? Parecido.

  • PT: manter e ampliar o Minha Casa Minha Vida para todas as faixas de renda, com meta de 3 milhões de moradias contratadas até o fim de 2026 (p. 45).
  • PL: voltar com o Casa Verde e Amarela, com meta de 2,5 milhões de casas e escritura de preferência no nome da mulher (p. 47).

Creche e cuidado. Quem cuida das crianças e dos idosos? Parecido.

  • PT: Política Nacional de Cuidados, com Cuidotecas para crianças de 3 a 12 anos e atendimento de idosos em casa (p. 22 e 26).
  • PL: creche garantida para toda criança, com vale-creche na rede particular enquanto não há vaga pública, e uma rede nacional de cuidado para idosos (p. 21).

Aposentados. O que muda no INSS? Parecido.

  • PT: continuar diminuindo a fila e concluir a modernização do atendimento (p. 77).
  • PL: "INSS sem fila", com gestão medida pelo tempo de espera, e um novo pacote antifraude nos descontos das aposentadorias (p. 26 e 72).

Natureza e campo

Desmatamento. Qual a meta para a floresta? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: desmatamento líquido zero até 2030: o que for derrubado tem que ser compensado com floresta de volta (p. 70).
  • PL: zerar o desmatamento ilegal até 2029, sem criar novas obrigações para quem produz dentro da lei (p. 58).

Licença para obras. Quanto tempo para aprovar um projeto? Bem diferente.

  • PT: fiscalizar com satélite e inteligência artificial e rastrear a origem dos produtos (p. 72).
  • PL: licença com prazo: se o órgão do governo não responder a tempo, a licença é concedida (p. 49 e 50).

Energia. De onde vem a energia? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: mais solar, eólica e biocombustíveis, numa matriz elétrica que já é 89% renovável (p. 64 e 68).
  • PL: liberar o fracking, ampliar o gás e transformar o país num polo global de data centers (p. 52 e 53).

Agricultura. Como ajudar quem planta? Bem diferente.

  • PT: continuar a reforma agrária e ampliar o crédito do Plano Safra da agricultura familiar (p. 59 e 60).
  • PL: titular a terra do pequeno produtor e garantir o direito de propriedade "sem margem para relativizações" (p. 54).

Terras indígenas. E as terras indígenas e quilombolas? Bem diferente.

  • PT: continuar demarcando e retirando invasores, e acelerar a titulação quilombola (p. 20).
  • PL: dar autonomia aos povos indígenas e quilombolas para decidirem sobre atividades produtivas nas próprias terras (p. 50).

Órgãos ambientais. Quem fiscaliza a natureza? Bem diferente.

  • PT: fundos bilionários para o clima e a floresta: Fundo Amazônia, Fundo Clima e o Florestas Tropicais para Sempre (p. 70 e 71).
  • PL: eliminar as sobreposições entre Ibama, Funai e ICMBio, e exigir que ONGs que recebem dinheiro internacional e processam a União revelem seus financiadores (p. 59).

Governo, Justiça e mundo

Tamanho do governo. Maior ou menor? Bem diferente.

  • PT: modernizar o Estado e valorizar os servidores, com negociação permanente (p. 16).
  • PL: cortar no mínimo 10 ministérios e combater penduricalhos e supersalários (p. 69).

Redes sociais. O governo deve agir contra as fake news na internet? Bem diferente.

  • PT: sim. Avançar na regulação das redes contra a desinformação e as campanhas de ódio (p. 16).
  • PL: não. Acabar com qualquer estrutura estatal que funcione como "Ministério da Verdade", por considerar isso censura (p. 66).

STF. O que muda no Supremo? Bem diferente.

  • PT: diálogo permanente com o Judiciário, respeitada a autonomia dos Poderes. O plano não propõe reforma do STF (p. 16).
  • PL: limitar as decisões de um ministro sozinho, privilegiando o colegiado, e acabar com o foro privilegiado: parlamentar passa a ser julgado em instâncias inferiores (p. 65).

Reeleição. Presidente pode se reeleger? Bem diferente.

  • PT: não fala disso. Diz apenas que a reforma política e eleitoral é inadiável (p. 15).
  • PL: acabar com a reeleição para presidente, citando uma proposta já protocolada no Senado (p. 66).

Emendas parlamentares. E o dinheiro que deputados escolhem onde gastar? Parecido.

  • PT: debater com a sociedade. Em 2026 as emendas somaram R$ 50 bilhões, perto de um quinto do orçamento livre (p. 15).
  • PL: mais transparência, controle e rastreabilidade sobre esse dinheiro (p. 69).

Outros países. De quem o Brasil fica mais perto? Bem diferente.

  • PT: Mercosul e América do Sul primeiro, com aprofundamento com a África e o BRICS, e reforma do Conselho de Segurança da ONU (p. 80 e 81).
  • PL: reaproximação com Estados Unidos, Israel e Argentina, retomada da entrada na OCDE e abertura comercial (p. 62 e 63).

Tecnologia. E a inteligência artificial? Mesmo objetivo, jeito diferente.

  • PT: IA soberana falando português e supercomputadores operados por instituições nacionais (p. 54 e 55).
  • PL: levar IA às micro e pequenas empresas, com legislação "voltada à liberdade de criar e inovar" (p. 56).

O que mais me chamou atenção em cada plano

Coisas que quase ninguém está comentando e que estão escritas lá:

No plano do PT:

  • Um novo PAC de R$ 1,3 trilhão até o fim de 2026 (p. 11).
  • Gás do Povo: botijão de graça para mais de 15 milhões de famílias, cerca de 50 milhões de pessoas (p. 66).
  • 1 milhão de casas do Minha Casa Minha Vida quitadas para quem recebe Bolsa Família ou BPC (p. 45).
  • Copa do Mundo feminina no Brasil no próximo mandato, em 8 capitais, a primeira da América do Sul (p. 43).
  • Mais etanol na gasolina (de 27% para 32%) e mais biodiesel no diesel (de 10% para 15%) (p. 68).
  • O tempo para emitir medida protetiva para mulheres caiu de 16 para 3 dias, e o plano promete manter o pacto (p. 21).

No plano do PL:

  • O complexo dos presídios de segurança máxima terá nome: TREVA, "para tirar o medo do cidadão e botar medo no bandido" (p. 14).
  • Roubo de celular com pena inicial quadruplicada, sem benefícios, inclusive para quem revende (p. 16).
  • ClarIA: uma assistente de inteligência artificial para mulheres, que registra ocorrência e pede medida protetiva pelo chat (p. 17 a 19).
  • Ganha, Ganha: pagar as contas em dia e concluir cursos vira pontos, que viram juros menores e cashback (p. 19 e 46).
  • R$ 900 bilhões em infraestrutura em 4 anos, incluindo o Trem do Nordeste: 1.400 km de trilhos ligando 7 capitais (p. 51 e 60).
  • Meta de crescer 4% ao ano na próxima década, o dobro da média das últimas duas (p. 49).

Achei importante explicar

  • Dívida pública: o dinheiro que o governo pegou emprestado e ainda precisa pagar, com juros.
  • Juros: o "aluguel" do dinheiro. Quando estão altos, comprar a prazo e pegar empréstimo fica mais caro.
  • Imposto sobre consumo: o imposto que já vem escondido no preço do que você compra, do pão ao celular.
  • Escala 6x1: trabalhar 6 dias seguidos e folgar só 1.
  • Maioridade penal: a idade a partir da qual a pessoa é julgada e presa como adulta. Hoje é 18 anos.
  • Ministério: uma parte do governo que cuida de um assunto, como Saúde ou Educação.
  • Fake news: notícia falsa criada para enganar, espalhada principalmente nas redes sociais.
  • Mercosul: grupo de comércio formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Não é a América do Sul inteira: Chile, Colômbia, Peru e outros vizinhos não fazem parte.
  • STF: Supremo Tribunal Federal, o tribunal mais alto do país, com 11 ministros.
  • Decisão monocrática: quando um ministro do STF decide sozinho, sem os outros dez.
  • Reeleição: quando quem já é presidente pode se candidatar de novo para mais 4 anos.
  • BRICS: grupo de países que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, entre outros.
  • OCDE: grupo de países, a maioria ricos, que seguem regras parecidas de economia e governo.
  • Fracking: um jeito de tirar gás de dentro de rochas no subsolo, quebrando a rocha com água e areia sob pressão.
  • Desmatamento líquido zero: ainda pode haver árvore derrubada, mas a mesma área é recomposta, e a conta fecha em zero.

Para terminar

Depois dessa leitura, o que fica para mim é isto: os dois planos têm muitos objetivos bem parecidos. Em alguns casos, até a forma de executar é parecida; em outros, é completamente diferente. Por isso, leia e interprete as propostas você mesmo.

Eu escrevi em setembro do ano passado o que penso sobre brigar por política como quem briga por time de futebol. Não mudei de ideia. Os dois documentos estão aí, públicos, com página e tudo. Leia, compare com a sua vida e decida o seu voto no dia 25 de outubro. E depois da eleição, continue amigo das pessoas.

Baixe e leia os documentos originais

É a maior recomendação deste texto. Minha leitura organiza; o documento oficial é a fonte.

Li as 84 páginas de um e as 76 do outro, e cada número citado aqui foi conferido nos documentos. Agora está faltando você ler.